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Reparos
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Uma amizade entre uma garotinha e um velho ranzinza. Como eles encontram perguntas e respostas no meio de uma oficina bagunçada.

Qtde. Páginas: 84
Impressão: Colorida
Publicação: Independente
Ano: 2017
Tamanho: 19 cm x 27,5 cm

VERSÕES DIGITAIS:

Guilherme Briggs“Ator, Dublador e Diretor de Dublagem”

Ao ler “Reparos”, na belíssima arte e texto de Brão Barbosa, fui tocado profundamente por emoções que me transportaram pra minha infância. Na imagem exótica do senhor Ravid, eu vi meu saudoso pai, que era uma das pessoas mais criativas e divertidas que conheci, meu grande amigo de bagunças e descobertas.

Ele tinha uma oficina improvisada no quartinho de serviço, ao lado da cozinha da casa de minha avó. Era um ambiente delicioso, recheado de ferramentas pelas paredes, rolos de papel-manteiga, kits de montagem de aviões, barcos e carros da Revell, cadernos e livros, rascunhos e plantas de casas, e brinquedos de madeira que ele mesmo fazia pra mim.

Meu pai conseguia criar e consertar praticamente tudo. Se o fogão da vovó quebrava, imediatamente ele estudava, se consultava com livros técnicos, perguntava em lojas ou com técnicos, e conseguia colocar funcionando com ainda mais potência. Se o meu avô reclamava da dentadura machucando o céu da boca, papai estudava e comprava todo o material necessário e moldava uma nova prótese, com vários modelos, até que meu vô aprovasse totalmente. Eram os anos 1970 e 1980, não existia internet, tudo tinha que ser garimpado em bibliotecas ou por meio de um bate-papo com pessoas que conheciam mais.

Na imagem de Eunice eu pude me enxergar, sendo que, no meu caso, eu era (e sou até hoje) apaixonado por artes, não tanto por engenharia. Papai sempre tentou me passar seu amor por máquinas, me levando pra vê-lo consertar coisas no velho fusquinha azul dele. Mas, depois de um tempo, vendo minha carinha de desinteresse e sono, foi desistindo, realinhando seu entusiasmo comigo para a criação de áudio-contos, de desenhos e histórias em quadrinhos, que ele igualmente gostava e me deixavam entusiasmado. Não falávamos mais de motores de carro e sim de super-heróis bizarros e monstros engraçados, inventando todos os finais de semana historinhas para tais personagens. Papai me deu a noção de que podemos ser independentes, podemos criar nosso próprio centro de entretenimento, bolando coisas para nos divertir, sem precisar consumir apenas coisas externas ou ficar dependendo de outras pessoas. Podemos ter um universo particular próprio e nos alimentar do mesmo, com extrema alegria e satisfação pessoal.

“Reparos” vai transportar você para esse universo gostoso e nostálgico, pois cada um de nós tem uma história de vida em que somos agraciados por um mentor ou alma criativa e bondosa, que se sincroniza com a nossa, aceita o que somos e nos enche de esperança e estímulo.

Podemos não reparar pessoas ou a nós mesmos com a facilidade com que fazemos com as máquinas. Talvez nós nunca tenhamos conserto como civilização, mas temos, com certeza, uma compensação: o nosso encantamento com o desconhecido jamais irá cessar também, nos levando sempre em frente, nunca estagnando.