{"id":311,"date":"2017-10-16T09:50:32","date_gmt":"2017-10-16T11:50:32","guid":{"rendered":"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/?p=311"},"modified":"2017-11-05T18:35:38","modified_gmt":"2017-11-05T20:35:38","slug":"making-of-de-reparos-02-argumento-personagens-e-roteiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/making-of-de-reparos-02-argumento-personagens-e-roteiro\/","title":{"rendered":"Making of de \u201cReparos\u201d &#8211; 02 &#8211; Argumento, Personagens e Roteiro"},"content":{"rendered":"<h1><a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/making-of-de-reparos-02-argumento-personagens-e-roteiro\/\">Making of de &#8220;Reparos&#8221; &#8211; 02 &#8211; Argumento, Personagens e Roteiro<\/a><\/h1>\n<p style=\"margin: 0 !important; padding: 0 !important;\"><a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Reparos-Vitrine-e1507203922905.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-293\" src=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Reparos-Vitrine-e1507203922905.png\" alt=\"Vitrine do Making of de &quot;Reparos&quot;\" width=\"691\" height=\"207\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"powerpress_player\" id=\"powerpress_player_5641\"><audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-311-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/media.blubrry.com\/making_of_de_reparos\/s\/braobarbosa.com\/reparos\/wp-content\/uploads\/podcast\/reparos-002.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/media.blubrry.com\/making_of_de_reparos\/s\/braobarbosa.com\/reparos\/wp-content\/uploads\/podcast\/reparos-002.mp3\">http:\/\/media.blubrry.com\/making_of_de_reparos\/s\/braobarbosa.com\/reparos\/wp-content\/uploads\/podcast\/reparos-002.mp3<\/a><\/audio><\/div><p class=\"powerpress_links powerpress_links_mp3\" style=\"margin-bottom: 1px !important;\">Podcast: <a href=\"http:\/\/media.blubrry.com\/making_of_de_reparos\/s\/braobarbosa.com\/reparos\/wp-content\/uploads\/podcast\/reparos-002.mp3\" class=\"powerpress_link_pinw\" target=\"_blank\" title=\"Play in new window\" onclick=\"return powerpress_pinw('http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/?powerpress_pinw=311-podcast');\" rel=\"nofollow\">Play in new window<\/a> | <a href=\"http:\/\/media.blubrry.com\/making_of_de_reparos\/s\/braobarbosa.com\/reparos\/wp-content\/uploads\/podcast\/reparos-002.mp3\" class=\"powerpress_link_d\" title=\"Download\" rel=\"nofollow\" download=\"reparos-002.mp3\">Download<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/feeds.feedburner.com\/braobarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Assine o Feed<\/a><\/p>\n<p>Ricardo: Ol\u00e1, senhoras e senhores. Eu sou <a href=\"https:\/\/twitter.com\/causa_propria\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ricardo Alexandre<\/a> e esse \u00e9 o segundo epis\u00f3dio da nossa gloriosa <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/makingofreparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s\u00e9rie de cinco epis\u00f3dios<\/a> sobre o \u00e1lbum em quadrinhos &#8220;<a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reparos<\/a>&#8220;. Terceiro \u00e1lbum do amigo <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o Barbosa<\/a> que est\u00e1 aqui nessa mesa, n\u00e3o poderia deixar de estar, n\u00e9, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o<\/a>?<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Sou eu.<\/p>\n<p>Ricardo: \u00c9 o pr\u00f3prio <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o Barbosa<\/a>,\u00a0 o autor dessa obra, e do meu lado esquerdo est\u00e1 <a href=\"https:\/\/twitter.com\/caradosite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paulinho Degaspari<\/a>. Tudo bem, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/caradosite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paulinho<\/a>?<\/p>\n<p>Paulinho: Ol\u00e1! Estou aqui!<\/p>\n<p>Ricardo: Muito bem! <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/making-of-de-reparos-01-como-comecar-e-estilo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No primeiro epis\u00f3dio<\/a>, a gente falou dos primeiros passos da concep\u00e7\u00e3o dos quadrinhos e hoje a gente vai falar sobre o desenvolvimento, como \u00e9 que se transforma boa ideia num material em quadrinhos. &#8220;<a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reparos<\/a>&#8221; j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 venda no site <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">braobarbosa.com\/reparos<\/a> por R$ 35, edi\u00e7\u00e3o independente do <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o Barbosa<\/a>. Ali\u00e1s a gente tem que dizer isso, n\u00e9? Que esse <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/makingofreparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">podcast<\/a> tem algumas caracter\u00edsticas. A primeira \u00e9 que estamos aqui conversando entre amigos, a segunda \u00e9 que a gente tem depoimentos de especialistas e quadrinistas a respeito dos temas que a gente est\u00e1 tratando, e o terceiro \u00e9 que \u00e9 cheio de spoilers, n\u00e9?<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Exatamente.<\/p>\n<p>Ricardo: Muito bem. Vamos falar do desenvolvimento ent\u00e3o, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o<\/a>! Voc\u00ea contava para gente <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/making-of-de-reparos-01-como-comecar-e-estilo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no primeiro epis\u00f3dio<\/a> de como as suas inspira\u00e7\u00f5es familiares, a tua rela\u00e7\u00e3o com o teu av\u00f4, e tamb\u00e9m as refer\u00eancias todas ali que voc\u00ea pescou ao longo da tua vida, conduziram a essa ideia, a essa fagulha inicial. Agora a grande pergunta \u00e9: como \u00e9 que se transforma inspira\u00e7\u00e3o em argumento? Num plot? Numa coisa que tenha come\u00e7o, meio e fim? Que tenha um esqueleto de hist\u00f3ria em quadrinhos?<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Como eu disse l\u00e1 <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/making-of-de-reparos-01-como-comecar-e-estilo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no primeiro epis\u00f3dio<\/a>, &#8220;<a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reparos<\/a>&#8221; surgiu do meu relacionamento com o meu av\u00f4. A ideia inicial veio a partir da \u00faltima foto, que representa para mim a vida dele. Ent\u00e3o, nada mais natural do que fazer uma hist\u00f3ria de um av\u00f4 com seu neto. S\u00f3 que em retrospecto, eu vi que as minhas hist\u00f3rias elas tinham poucos personagens femininos relevantes, ent\u00e3o eu quis colocar um desses personagens pelo menos fosse feminino e optei pela crian\u00e7a. E como desde o in\u00edcio eu n\u00e3o tinha pretens\u00e3o de fazer uma biografia, ent\u00e3o eu queria ter a liberdade de fazer o que quisesse com as personagens, para o que melhor fosse a favor da hist\u00f3ria. Ent\u00e3o eu decidi colocar a personagem que me representa na hist\u00f3ria, como sendo uma menina. E isso, no processo, j\u00e1 me economizou muito esfor\u00e7o porque logo no momento que eu decidi que seria uma garotinha, j\u00e1 me veio em mente o nome, que Eunice, que \u00e9 o nome da m\u00e3e do meu av\u00f4, que ele tinha muito carinho por ela, me contava v\u00e1rias hist\u00f3rias dos dois, e tal. E \u00e9 um nome que me auxiliou a contar a hist\u00f3ria, porque eu gosto de quando estou criando os personagens, colocar nomes neles que me dizem algo mais do que somente uma etiqueta neles. Ent\u00e3o, Eunice j\u00e1 carregava muito significado para mim. No pr\u00f3prio nome do personagem que representa o meu av\u00f4, al\u00e9m do nome dele ao contr\u00e1rio, n\u00e9? Meu av\u00f4 chama Divar, e o personagem Ravid. Mesmo assim, eu fui procurar, porque gosto que tenha essa carga. Ent\u00e3o, eu fui procurar se existia essa palavra em algum idioma, e eu achei que &#8220;Ravid&#8221;, no idioma da Let\u00f4nia, \u00e9 uma palavra, que traduzida, \u00e9 um tratamento de sa\u00fade. E eu achei que casou muito bem al\u00ed, porque eu acredito que se fosse algo, tipo, sei l\u00e1?! Um significado pejorativo, ou &#8220;batata&#8221;, por exemplo, eu acho que somaria pouco \u00e0 hist\u00f3ria. Eu acho que, no meu papel como autor, essa carga que a palavra j\u00e1 trouxe, n\u00e3o que tenha nada de m\u00edstico, ou espiritual nisso, mas eu acho que soma ali, na hora da produ\u00e7\u00e3o, na hora da concep\u00e7\u00e3o do personagem.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Yabu: Eu tento sempre come\u00e7ar de uma sensa\u00e7\u00e3o, ou um sentimento.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/fabioyabu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">F\u00e1bio Yabu<\/a> \u00e9 autor de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.comborangers.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Combo Rangers<\/a>&#8220;, &#8220;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Princesas_do_Mar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Princesas do Mar<\/a>&#8221; e muitos outros <a href=\"https:\/\/www.skoob.com.br\/autor\/livros\/1076\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livros<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/artista\/trabalhos-de\/fabio-yabu\/3336\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quadrinhos<\/a>.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Yabu: Mas n\u00e3o \u00e9 nem a ideia ainda, sabe? Acho que \u00e9 antes da ideia. A ideia seria &#8220;garoto se apaixona por garota&#8221;. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 amor, descoberta, \u00e9 amadurecimento. Acho que antes da ideia eu tento trabalhar essa sensa\u00e7\u00e3o que eu quero que permeia hist\u00f3rias, sabe? Que muitas vezes nem \u00e9 declarada e tem gente que at\u00e9 nem percebe. Isso que eu acho mais importante, \u00e9 isso que cria hist\u00f3rias mais interessantes que mesmo que n\u00e3o verbalizem a sua ideia original, a sua sensa\u00e7\u00e3o as pessoas acabam percebendo. E talvez, por isso, at\u00e9 ressoe melhor. Acho que o n\u00e3o dito muitas vezes \u00e9 melhor do que o dito. Quando eu quero passar uma sensa\u00e7\u00e3o mais primordial, como medo do desconhecido, medo do escuro, medo do futuro, medo de doen\u00e7a&#8230; Tem muitas emo\u00e7\u00f5es primordiais, sabe? Que a gente pode trabalhar em hist\u00f3rias sem falar diretamente nelas. A\u00ed eu vou pensando, n\u00e9? Qual \u00e9 a ideia ideia? Se \u00e9 garota se apaixona por garota, se \u00e9, sei l\u00e1, uma viagem no tempo, ou se \u00e9 zumbi, a\u00ed \u00e9 o segundo plano. E muitas vezes as coisas acontecem meio que em paralelo, n\u00e9? N\u00e3o \u00e9 que \u00e9 um processo linear. O <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Robert_McKee\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">McKee<\/a>, que \u00e9 o meu guru de roteiros ele fala: &#8220;a mente inconsciente dirige e a mente consciente \u00e9 o carro&#8221;. \u00c9 o que \u00e9 fact\u00edvel, o que \u00e9 poss\u00edvel, o que voc\u00ea v\u00ea. Na verdade quem est\u00e1 comandando o carro \u00e9 a mente inconsciente ou o subconsciente.<\/p>\n<p>Gustavo Borges: Quando tu l\u00ea a hist\u00f3ria, ela \u00e9 toda bonita. Ela \u00e9 em tons de f\u00e1bula.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/gustavo2d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gustavo Borges<\/a> \u00e9 autor de &#8220;<a href=\"http:\/\/mortecrens.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Entediante Vida de Morte Crens<\/a>&#8220;, das tiras de &#8220;<a href=\"http:\/\/edgarhq.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Edgar<\/a>&#8221; e &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/petalas\/pe127110\/119363\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e9talas<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>Gustavo Borges: Uma coisa pequena faz voc\u00ea querer contar hist\u00f3ria. E do &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/petalas\/pe127110\/119363\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e9talas<\/a>&#8221; se resume em generosidade. Eu queria que fosse um grande ato de desprendimento, um grande ato de generosidade. Ent\u00e3o eu comecei a pensar que eu queria fazer uma f\u00e1bula disso. Da\u00ed quando eu pensei em f\u00e1bula, eu pensei que eu poderia fazer sob os olhos de uma crian\u00e7a, sabe? Ent\u00e3o a\u00ed come\u00e7ou a surgir a ideia de que eu queria colocar as coisas dessa forma, e imaginei que um dos maiores atos de generosidade seria no meio de uma guerra, numa \u00e1rea afastada, que tivesse acontecido uma nevasca, ou assim, por circunst\u00e2ncias do meio, dois ex\u00e9rcitos opostos deixassem de ser soldados e passassem a ser pessoas. E eles tivessem que andar juntos. Eu n\u00e3o queria entrar nessa coisa de falar sobre isso. Eu queria ficar num ato de generosidade. Ent\u00e3o isso me veio em colocar o ato de generosidade teria que ser passado por um animal que seria a presa na vida real, para o predador. Na HQ, quem chega, aparece do nada, e faz um ato generoso \u00e9 o p\u00e1ssaro para uma raposa. Mas esse background todo que eu criei, tu v\u00ea isso entre linhas.<\/p>\n<p>Ricardo: Foi exatamente o teu caso, n\u00e9, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o<\/a>? De voc\u00ea conseguir construir uma hist\u00f3ria a partir de um sentimento.<\/p>\n<p>Br\u00e3o: \u00c9. Foi um sentimento que estava procurando at\u00e9 \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o dele. O processo todo da hist\u00f3ria foi at\u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o para mim do que eu realmente estava sentindo. Esse meu luto pelo meu av\u00f4, e tal.<\/p>\n<p>Paulinho: Voc\u00ea falou que escolheu uma menina como protagonista e isso te deu a liberdade de criar em cima dela, e modificar a hist\u00f3ria. Mas assim, como leitor, e como curiosidade, eu queria saber quanto da hist\u00f3ria \u00e9 ver\u00eddica, o quanto voc\u00ea viveu daquele relacionamento, e voc\u00ea colocou na hist\u00f3ria, na personagem ao inv\u00e9s de ser voc\u00ea l\u00e1 participando<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Na pr\u00e1tica tem mais lampejos de realidade. Por exemplo, a oficina dele era muito pr\u00f3xima do que \u00e9 retratado na hist\u00f3ria. Aquele caos organizado na cabe\u00e7a dele. Inclusive coloquei v\u00e1rios equipamentos que ele realmente tinha ali. E esse deslumbramento que a Eunice tinha ao entrar na oficina, era o mesmo sentimento que eu tinha. Eu achava que eu estava entrando numa grande caixa de brinquedos e um portal ali para v\u00e1rias possibilidades. Porque eu passava ali algumas tardes com ele. Ent\u00e3o eu o ajudava. Pouco, mas ajudava, enquanto ele consertava um equipamento ou outro. De vez em quando eu trazia um projeto pra ele, e a gente constru\u00eda juntos. Esse tipo de coisa. Tem uma sequ\u00eancia muda do quadrinho, em que eles passam por diversas fases, consertando v\u00e1rios equipamentos. Eu vivi muito daquilo ali.<\/p>\n<p>Paulinho: Foi meio que \u00e9 um resumo do que voc\u00ea viveu com ele.<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Isso. Algumas pessoas podem achar exagerado at\u00e9 o lance do avi\u00e3o ali, por exemplo, dos dois consertando avi\u00e3o, mas aquilo \u00e9 refer\u00eancia\u2026<\/p>\n<p>Ricardo: Eu achei, eu achei! (risos)<\/p>\n<p>Paulinho: Aquilo \u00e9 refer\u00eancia a qu\u00ea?<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Ao aeromodelismo que ele praticava, e \u00e0 cole\u00e7\u00e3o de aeromodelos que ele tinha, e que ele consertava e tal. E eu e minhas primas, por exemplo, a gente ia l\u00e1 e ficava brincando: &#8220;Aquele avi\u00e3o \u00e9 meu, aquele \u00e9 seu&#8221;, sabe?<\/p>\n<p>Paulinho: Que legal!<\/p>\n<p>Br\u00e3o: E at\u00e9 nesse processo, eu tenho duas primas muito pr\u00f3ximas a mim que t\u00eam idades parecidas e no momento em que eu decidi fazer uma personagem feminina, eu entrei em contato tanto com elas como a minha irm\u00e3, que \u00e9 um pouco mais nova, para saber qual foi a rela\u00e7\u00e3o que elas tinham, a vis\u00e3o que elas tinham, para com essa figura do meu av\u00f4 tamb\u00e9m, para n\u00e3o traduzir s\u00f3 o meu sentimento, mas fazer jus ali \u00e0 personagem, \u00e0 vis\u00e3o dela.<\/p>\n<p>Ricardo: P\u00f4, que coisa bacana. Ent\u00e3o a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o continua sendo um gesto de afetividade, emotividade em rela\u00e7\u00e3o aos teus parentes diretos ali, n\u00e9?<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Ah, sim! At\u00e9 vis\u00f5es diferentes delas me ajudaram a construir melhor o personagem.<\/p>\n<p>Ricardo: Que me parece um bom link para o nosso pr\u00f3ximo assunto desse epis\u00f3dio, que \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o dos personagens, dos outros personagens. O quanto tem de personagens reais, de experi\u00eancias verdadeiras nas outras crian\u00e7as ali do grupo? Obviamente, em uma leitura mais superficial, eles ajudam a explicar as caracter\u00edsticas da Eunice e as caracter\u00edsticas da rela\u00e7\u00e3o dela com o Ravid, n\u00e9? Isso a\u00ed \u00e9 a coisa mais evidente. Como \u00e9 que eles surgiram?<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Os personagens coadjuvantes cumprem fun\u00e7\u00f5es para direcionar a hist\u00f3ria e para fortalecer os personagens principais que s\u00e3o, obviamente, a Eunice e o sr. Ravid. Ent\u00e3o eu utilizei bastante de refer\u00eancias pessoais e filmes da minha inf\u00e2ncia, que eu assistia, para fazer a constru\u00e7\u00e3o desses personagens. Por exemplo, a rela\u00e7\u00e3o que ela tem com o J\u00fanior \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o baseada num dos meus filmes favoritos da inf\u00e2ncia, que \u00e9 &#8220;<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0110364\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Pequeno Grande Time<\/a>&#8220;, o nome original \u00e9 &#8220;<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0110364\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Little Giants<\/a>&#8220;. Ent\u00e3o tem a personagem que \u00e9 a Icebox, que \u00e9 uma personagem que eu me baseei bastante para fazer Eunice, que \u00e9 uma personagem bem moleque, uma garotinha bem moleque, que no caso do filme, ela era a melhor jogadora do time de futebol americano e ela era sempre bem truncada no sentido afetivo, at\u00e9 que ela encontra o J\u00fanior, que \u00e9 um garoto novo na cidade que entra para o time, e ela se v\u00ea ali gostando do garoto e tal. Ent\u00e3o o nome vem do pr\u00f3prio filme, a jaquetinha dele, do personagem, tem o n\u00famero onze, que \u00e9 o n\u00famero do J\u00fanior no filme.<\/p>\n<p>Paulinho: Olha s\u00f3!<\/p>\n<p>Ricardo: (risos)<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Por exemplo, o sr. Ravid. No momento em que eu estava construindo a hist\u00f3ria, que eu decidi que eles n\u00e3o teriam relacionamento familiar. Eu decidi isso porque eu precisava construir a ideia de um monstro na Eunice, para depois desconstruir isso. Ent\u00e3o, logo que eu tive essa sa\u00edda, que eu achei essa ferramenta, me veio \u00e0 mente o &#8220;<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0099785\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Esqueceram de Mim<\/a>&#8220;. Em que o Kevin tem aquele primeiro embate com aquele vizinho da p\u00e1, n\u00e9? A constru\u00e7\u00e3o \u00e9 bem parecida com o que eu queria. Ent\u00e3o me baseei nele. E a Lara e o Igor s\u00e3o personagens que servem de um al\u00edvio c\u00f4mico, e de um direcionamento, que eu utilizei algumas caracter\u00edsticas de amigos pr\u00f3ximos a mim, que me ajudaram no processo de constru\u00e7\u00e3o. A Lara \u00e9 uma refer\u00eancia ao meu amigo <a href=\"https:\/\/twitter.com\/lassmar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lassmar<\/a>, que \u00e9 um ilustrador tamb\u00e9m, e o Igor \u00e9 uma refer\u00eancia a um quadrinista amigo meu, que \u00e9 o <a href=\"https:\/\/twitter.com\/vencyslao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vencys Lao<\/a>. Que pouca gente sabe que \u00e9 o nome dele real. \u00c9 o Jo\u00e3o Igor. Desculpa a\u00ed, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/vencyslao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vencys<\/a>, por estar revelando o teu segredo, (risos) mas foram duas figuras que me ajudaram na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, em momentos que eu tinha d\u00favida de como seguir no roteiro, que me ajudaram e a\u00ed coloquei algumas caracter\u00edsticas dos dois personagens para auxiliar. E a\u00ed nada mais justo que batiz\u00e1-los assim.<\/p>\n<p>Ricardo: Muito bom! Isso aqui \u00e9 uma verdadeira mat\u00e9ria-prima para um jogo de Trivia sobre\u2026<\/p>\n<p>Paulinho: N\u00e3o, e tem muito mais, cara! O que ele espalha, o que o <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o<\/a> espalha de easter eggs nesses quadrinhos\u2026 Assim, a primeira coisa que eu fa\u00e7o quando vejo quadrinhos do <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o<\/a>, eu vou procurar placa de carro. Porque placa de carro \u00e9 sempre easter eggs, \u00e9 sempre refer\u00eancia\u2026 (risos)<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Isso na verdade, n\u00e3o \u00e9 porque &#8220;ah, eu vou colocar porque sou legalz\u00e3o&#8221;, n\u00e3o. Mas \u00e9 porque \u00e9 a forma que eu acho mais f\u00e1cil, e mais r\u00e1pida de poder preencher lacunas do que para mim fazem falta. Ent\u00e3o, eu vou naquilo que me cativa, naquilo que eu gosto, e vou colocando ali para poder encorpar a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Paulinho: Ent\u00e3o assim, tem que deixar para as pessoas descobrirem os easter eggs.<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Ah, claro!<\/p>\n<p>Paulinho: Num pode ficar contando aqui, n\u00e9?<\/p>\n<p>Ricardo: N\u00e3o, n\u00e3o pode.<\/p>\n<p>Paulinho: Mas tem alguns bem legais.<\/p>\n<p>Vitor Cafaggi: Eu nunca parei para pensar muito no meu processo de cria\u00e7\u00e3o de personagens. Todas as vezes aconteceu de forma instintiva.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/vitorcafaggi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vitor Cafaggi<\/a> \u00e9 autor de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/valente-para-sempre\/va184100\/93569\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Valente<\/a>&#8220;, &#8220;<a href=\"http:\/\/punyparker.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Punny Parker<\/a>&#8220;, &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/duotone\/du184100\/93570\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Duo.tone<\/a>&#8220;, e escreveu ao lado da sua irm\u00e3 Lu, &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/graphic-msp-n-2\/gr011104\/104169\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">La\u00e7os<\/a>&#8220;, &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/graphic-msp-n-8\/gr011104\/118458\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Li\u00e7\u00f5es<\/a>&#8221; e &#8220;Lembran\u00e7as&#8221;, as graphics MSP da turma da M\u00f4nica.<\/p>\n<p>Vitor Cafaggi: Teve um quadrinho que eu fiz independente chamado&#8221;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/duotone\/du184100\/93570\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Duo.tone<\/a>&#8220;, que o personagem principal \u00e9 um menino chamado &#8220;Tim&#8221; e tem v\u00e1rias caracter\u00edsticas minhas de quando eu era crian\u00e7a. E at\u00e9 a situa\u00e7\u00e3o que ele est\u00e1 vivendo \u00e9 parecida com algumas coisas que eu vivi. Ent\u00e3o, desse jeito, at\u00e9 os nomes dos personagens surgem com naturalidade. &#8220;Tim&#8221; um apelido que eu tenho em casa. &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/valente-para-sempre\/va184100\/93569\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Valente<\/a>&#8221; mesmo, que \u00e9 outro personagem, o nome do Valente veio de um cachorro que tive chamado &#8220;Valente&#8221;. O nome de todos os personagens coadjuvantes do &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/valente-para-sempre\/va184100\/93569\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Valente<\/a>&#8221; s\u00e3o nomes de animais que os amigos tiveram. Meu amigo que me inspirou o Esopo, teve um cachorro chamado &#8220;Esopo&#8221;. Meu amigo que me inspirou o Cacique, teve um cachorro chamado &#8220;Cacique&#8221;. Meu amigo que inspirou o Percival, teve um gato chamado &#8220;Percival&#8221;. \u00c9 bem natural pensar assim, porque pra come\u00e7ar eu acho que eu enxergo o personagem n\u00e3o como personagem mesmo, algu\u00e9m que tem s\u00f3 uma caracter\u00edstica principal e pronto. Eu tento enxergar como pessoas, mesmo, com uma hist\u00f3ria de vida por tr\u00e1s, com objetivo de onde eles querem chegar e tudo o mais. No\u00a0&#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/valente-para-sempre\/va184100\/93569\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Valente<\/a>&#8221; isso \u00e9 muito vivo e \u00e9 muito f\u00e1cil fazer isso no &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/valente-para-sempre\/va184100\/93569\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Valente<\/a>&#8221; j\u00e1 que \u00e9 praticamente uma autobiografia. Teve que vir a partir de experi\u00eancias que eu j\u00e1 tinha e com personagens totalmente inspirados em pessoas que eu j\u00e1 conhecia. No &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/valente-para-sempre\/va184100\/93569\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Valente<\/a>&#8220;, eu sei como \u00e9 que cada personagem age, em qualquer tipo de situa\u00e7\u00e3o que eu colocar eles exatamente por eles serem baseados em pessoas muito pr\u00f3ximas de mim. E at\u00e9 trabalhando com personagens que n\u00e3o s\u00e3o meus, como a Turma da M\u00f4nica, eu tento colocar minha vis\u00e3o desses personagens.<br \/>\nQuando a gente teve a chance de trabalhar com a turma, uma das coisas que eu e minha irm\u00e3 quer\u00edamos fazer era mostrar o que que eles eram al\u00e9m do que todo mundo enxergava neles. O que que o Cebolinha era al\u00e9m de ser um menino que troca o &#8220;r&#8221; pelo &#8220;l&#8221;? O que que o Casc\u00e3o \u00e9 al\u00e9m de um menino que n\u00e3o toma banho? Quais as rela\u00e7\u00f5es entre eles? Qual a import\u00e2ncia de um para o outro? Qual o apelido que um chama o outro? Humanizar eles mesmos e trazerem eles mais para perto da gente. Eu acho que os bons personagens, quanto mais humanos eles forem, melhor. Mais f\u00e1cil da gente se identificar.<\/p>\n<p>Gustavo Borges: Ao primeiro de tudo, quando eu me familiarizo com um personagem, pra eu ficar tranquilo com ele, eu tento entender como ele pensa.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/gustavo2d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gustavo Borges<\/a> novamente.<\/p>\n<p>Gustavo Borges: Porque da\u00ed eu vou conseguir me colocar de uma forma mais confort\u00e1vel, fazendo aquilo, do que s\u00f3 mexer o personagem como se fosse uma pe\u00e7a para o roteiro acontecer. Tentar colocar um personagem mais como &#8220;n\u00e3o, eu acho que ele pensa assim, vai agir dessa forma e vai responder assim&#8221; porque eu j\u00e1 fui estruturando minha cabe\u00e7a ao ponto que eu consigo entender quais s\u00e3o os v\u00ednculos, e para onde ele pensa e como ele reage a situa\u00e7\u00f5es assim. \u00c9 entender um pouco como \u00e9 a din\u00e2mica interior do personagem. Para que eu possa meio que simular ele. Como se eu fizesse um demo dele em mim e eu atuo na minha cabe\u00e7a essas fun\u00e7\u00f5es que ele vai ter que fazer. Se ele vai ter que tomar decis\u00f5es, ou se ele \u00e9 um personagem que tem muita responsabilidade, um personagem que quer aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVou tentar usar um exemplo do <a href=\"http:\/\/edgarhq.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Edgard<\/a>, que \u00e9 meu personagem. V\u00e1rias coisas que eu fui criando sobre ele, sobre o passado dele, sobre o av\u00f4 dele, isso foram coisas que foram resultando de eu imaginar assim: &#8220;bom, ent\u00e3o esse personagem, se ele teve um passado assim, ele n\u00e3o vai, necessariamente, se relacionar bem com pessoas mais jovens. Porque nessa conviv\u00eancia que ele teve com a av\u00f3 dele, ele passou a ter a vis\u00e3o do av\u00f4 dele e das coisas, e o av\u00f4 dele n\u00e3o concordava com outras. Ent\u00e3o ele meio que absorveu isso e cresceu com isso, ele tamb\u00e9m teve bullying na vida dele, com alguma coisa, e isso foi o resultando que ele ficou meio fechado. E tem o amor dele pela ci\u00eancia\u2026&#8221;<br \/>\nEnt\u00e3o eu vou meio que fechando algumas chaves, moldando a hist\u00f3ria, com um pouco do que eu quero com o personagem. E tentando entender assim, como \u00e9 que eu viro a chave do personagem para eu fazer ele funcionar sozinho. No quadrinho do Edgard n\u00e3o tem nada sobre o av\u00f4 dele. Mas o av\u00f4 dele foi uma coisa que eu sempre penso. Eu preciso do inicial dele. Entender onde ele se difere de mim, pra eu conseguir pensar &#8220;por que \u00e9 que ele iria pro outro lado?&#8221; O porqu\u00ea que ele agiria de forma ego\u00edsta. Coisas do tipo. E eu come\u00e7o a entender como ele vai funcionar em outras situa\u00e7\u00f5es. Bom, se ele funcionasse assim nessa, na outra situa\u00e7\u00e3o mais na frente que talvez eu tenha que pensar, n\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o do personagem, mas quando eu estiver na hist\u00f3ria mesmo, eu n\u00e3o vou me embaralhar. Porque eu j\u00e1 entendi como a personagem funciona. Estou mais familiarizado jogar com eles, como se fosse um v\u00eddeo-game mesmo.<br \/>\nE outra coisa, eu come\u00e7o o personagem com uma simbologia. No &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/petalas\/pe127110\/119363\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e9talas<\/a>&#8220;, os personagens, eles t\u00eam uma simbologia, por serem os animais que eles s\u00e3o, e n\u00e3o necessariamente s\u00e3o animais. No &#8220;<a href=\"http:\/\/edgarhq.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Edgar<\/a>&#8220;, eles s\u00e3o os animais. Ele realmente \u00e9 o castor, que seria o bicho castor, do nosso mundo real. E eu uso assim, no <a href=\"http:\/\/edgarhq.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Edgard<\/a>, o castor, o animal mais racional, que ele tem um instinto matem\u00e1tico quase. Ele consegue fazer coisas incr\u00edveis na natureza. Da\u00ed eu pego essa simbologia dele, e essa figura que o castor j\u00e1 tem. Esse intelecto cravado no instinto dele. E no\u00a0&#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/petalas\/pe127110\/119363\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e9talas<\/a>&#8221; s\u00e3o os animais que eu desenho ali, mas a ideologia daquele animal, a fisionomia a din\u00e2mica entre um animal ser predador e outro animal ser presa, isso \u00e9 a simbologia que eu queria colocar para aqueles dois seres. Porque n\u00e3o gostaria de representar humanos naquela hist\u00f3ria. Ent\u00e3o eu criei uma simbologia para colocar em cima deles. Isso tamb\u00e9m j\u00e1 causa quase como uma vestimenta pra tamb\u00e9m guiar as personagens.<\/p>\n<p>Lu Cafaggi: Pegando coisas que j\u00e1 existem e me colocando nelas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lcafaggi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lu Cafaggi<\/a> fala sobre a cria\u00e7\u00e3o dos personagens de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/mix-tape\/mi184100\/93654\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mix Tape<\/a>&#8221; e da <a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/quando-tudo-comecou-bruna-vieira-em-quadrinhos\/qu829100\/119245\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">biografia de Bruna Vieira<\/a>.<\/p>\n<p>Lu Cafaggi: Mesmo em &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/mix-tape\/mi184100\/93654\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mix Tape<\/a>&#8221; sendo personagens completamente fict\u00edcios, tudo \u00e9 com refer\u00eancia em pessoas que eu conhe\u00e7o. Mesmo que uma personagem de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/mix-tape\/mi184100\/93654\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mix Tape<\/a>&#8221; n\u00e3o seja uma pessoa real, todas essas pessoas que a gente coloca num quadrinho v\u00eam das pessoas que existem. V\u00eam de experi\u00eancias convivendo com estas pessoas, vem de observar o jeito delas de ver a vida mesmo, de reagir \u00e0s coisas.<br \/>\nNo caso da Bruna, por exemplo, a personagem principal \u00e9 ela. Os outros personagens s\u00e3o fict\u00edcios completamente. Mas todos eles, incluindo a Bruna, s\u00e3o baseados em pessoas da minha adolesc\u00eancia mesmo. A Bruna passa por coisas que eu passei. \u00c9 tudo uma mistura de observa\u00e7\u00e3o de que as pessoas s\u00e3o, e de quem eu sou. Mas n\u00e3o de um jeito &#8220;ah, vou me colocar aqui como um indiv\u00edduo que \u00e9 muito importante, meus gostos s\u00e3o importantes, meus sonhos s\u00e3o importantes&#8221;. N\u00e3o assim. \u00c9 mais em rela\u00e7\u00e3o a trabalhar os sentimentos e a trabalhar a aceita\u00e7\u00e3o que a gente tem com os nossos erros, nossos defeitos\u2026<\/p>\n<p>Ricardo: Agora, tem uma coisa que n\u00e3o \u00e9 um easter egg, mas \u00e9 uma coisa grande, uma coisa evidente, que assim\u2026 Eu sou testemunha de que quando o <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o<\/a> come\u00e7ou a preparar &#8220;<a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reparos<\/a>&#8220;, ainda n\u00e3o havia &#8220;<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt4574334\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stranger Things<\/a>&#8220;, n\u00e3o havia &#8220;<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt1396484\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">It: A Coisa<\/a>&#8220;, essa onda incr\u00edvel de crian\u00e7as andando de bicicleta\u2026<\/p>\n<p>Paulinho: Atr\u00e1s de coisas estranhas.<\/p>\n<p>Ricardo: Atr\u00e1s de coisas estranhas\u2026 (risos)<br \/>\nQuanto dessa, voc\u00ea j\u00e1 falou um pouquinho disso, queria que voc\u00ea aprofundasse at\u00e9 na constru\u00e7\u00e3o do roteiro. Se voc\u00ea conseguir ver se esse parentesco com o cinema te inspira para al\u00e9m dos easter eggs, pra al\u00e9m das refer\u00eancias.<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Sobre esse aspecto de refer\u00eancias, &#8220;ah, o filme &#8216;tal&#8217; utilizou essa ideia primeiro, e tal&#8221;. Por exemplo, nesse caso o mesmo. &#8220;<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt4574334\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stranger Things<\/a>&#8221; foi lan\u00e7ado dia 15 de julho de 2016 e eu comecei a escrita de &#8220;<a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reparos<\/a>&#8221; no dia 15 de agosto do ano anterior. Ent\u00e3o por mais que\u2026 Bom, s\u00f3 estou lan\u00e7ando o livro agora. Quem v\u00ea logicamente vai fazer a assimila\u00e7\u00e3o e tal. Mas assim, o pr\u00f3prio <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mendelevio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jo\u00e3o Marcos<\/a>, que \u00e9 um autor bem pr\u00f3ximo a mim, foi meu professor de quadrinhos na faculdade, ele fala algo bem similar a isso.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Marcos: Eu acredito que quem trabalha com cria\u00e7\u00e3o ficar atento aos sinais que est\u00e3o em torno da gente.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mendelevio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jo\u00e3o Marcos<\/a> \u00e9 professor e quadrinista. Seus personagens mais conhecidos s\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/mendelevio-n-1\/me578101\/83134\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mendel\u00e9vio e Tel\u00faria<\/a>. E \u00e9 roteirista da Mauricio de Sousa Produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Marcos: No caso, o que eu chamo de sinais s\u00e3o as ideias. \u00c0s vezes esses sinais aparecem de surpresa, de um tema que eu n\u00e3o estava pensando inicialmente, vem de uma leitura, vem de uma experi\u00eancia do dia a dia. \u00c0s vezes eu vejo uma imagem e fico imaginando desdobramentos que podem surgir dela, que v\u00e3o me contar uma hist\u00f3ria. Como o meu p\u00fablico \u00e9 o infantil, eu fico muito atento \u00e0s crian\u00e7as que est\u00e3o \u00e0 minha volta. Os meus filhos. E por causa do trabalho com os livros, eu costumo visitar muitas escolas. Ent\u00e3o eu fico muito atento, procurando essas ideias. \u00c0s vezes essa hist\u00f3ria vem completa, \u00e0s vezes ela vem de surpresa e \u00e0s vezes ela vai sendo constru\u00edda aos poucos. E quando eu estou trabalhando num livro e eu tenho outras ideias, eu vou guardando todas elas. Por exemplo, eu comecei a trabalhar no livro novo com os meus personagens, o <a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/mendelevio-n-1\/me578101\/83134\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mendel\u00e9vio e a Tel\u00faria<\/a>, o que ser\u00e1 o terceiro livro. Ent\u00e3o eu peguei a minha pasta e estava cheia de pap\u00e9is. E \u00e9 impressionante quando eu falo a quest\u00e3o da hist\u00f3ria vir pronta, ela acha lugar na cabe\u00e7a da gente porque tem um espa\u00e7o ali pra ela habitar. E eu acho que o espa\u00e7o vem por esse esfor\u00e7o, por esse conhecimento, por essa busca de entender como \u00e9 que se conta uma hist\u00f3ria. Voc\u00ea pode ter uma ideia fant\u00e1stica, mas se n\u00e3o tiver os meios pra executar, voc\u00ea fica perdido.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/samantamanta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Samanta Fl\u00f4or<\/a>, autora de &#8220;<a href=\"http:\/\/adassong.tumblr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Can\u00e7\u00e3o de Ada<\/a>&#8220;, &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/astronauta-de-pijama-o\/as127110\/116620\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Astronauta de Pijamas<\/a>&#8220;, &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/chance\/ch141510\/120435\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chance<\/a>&#8221; e <a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/artista\/trabalhos-de\/samanta-floor\/10718\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">outros<\/a>, \u00e9 bem pr\u00e1tica ao ser questionada sobre seus insights.<\/p>\n<p>Samanta Fl\u00f4or: Eu n\u00e3o tenho insights, na verdade. Eu tenho uns caderninhos e qualquer ideia, qualquer bobagem que me surge, eu vou anotando ali.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/cristinaeiko\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cris Eiko<\/a>, sobre as ideias para os &#8220;<a href=\"http:\/\/www.quadrinhosa2.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quadrinhos A2<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>Cris Eiko: \u00c0s vezes acontece umas coisas inusitadas e ele s\u00f3 vai anotando. E \u00e0s vezes \u00e9 algo muito engra\u00e7ado, ou \u00e9 uma ideia que ele teve que n\u00e3o aconteceu, mas que por causa de algo que aconteceu com a gente ele teve essa ideia. Por exemplo, no <a href=\"http:\/\/www.quadrinhosa2.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A2<\/a> #4 tem a hist\u00f3ria que o Pino se transforma em outros animais. Isso acontece porque toda vez que a gente vai sair o Pino, o Pino se transforma. Ele normalmente aqui em casa \u00e9 essa coisinha meiga assim, que passa o dia dormindo. A\u00ed quando ele sai na rua vira uma fera. A gente fica apelidando ele de &#8220;tubar\u00e3o&#8221;\u2026 As quase v\u00edtimas dele j\u00e1 chamaram ele de filho do capeta.<\/p>\n<p>Laudo Ferreira: Eu sou totalmente contra essa coisa de falar &#8220;ah, eu tenho inspira\u00e7\u00e3o\u2026&#8221; N\u00e3o!<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/laudoferreira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Laudo Ferreira<\/a>.<\/p>\n<p>Laudo Ferreira: At\u00e9 a minha inspira\u00e7\u00e3o, vamos dizer assim, ela \u00e9 uma coisa matem\u00e1tica. Se for para levar uma coisa assim, &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221;, eu tenho que estar inspirado o tempo todo.<\/p>\n<p>Z\u00e9 Wellington: Na maioria das vezes, quando eu tenho um insight \u00e9 quando estou vendo outra coisa. Estou assistir em determinada obra, lendo determinado livro.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/zewellington\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Z\u00e9 Wellington<\/a> \u00e9 roteirista de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/quem-matou-joao-ninguem\/qu906100\/109663\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quem Matou Jo\u00e3o Ningu\u00e9m?<\/a>&#8220;, &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/steampunk-ladies-vinganca-a-vapor\/st906100\/117268\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Steampunk Ladies<\/a>&#8221; e &#8220;Canga\u00e7o Overdrive&#8221;.<\/p>\n<p>Z\u00e9 Wellington: Acontece muito de eu estava vendo uma coisa, e eu come\u00e7o querer adivinhar o que vai acontecer. Mas \u00e0s vezes, a gente est\u00e1 assistindo aquele filme, eu imagino como acho que seria legal o final do filme, e para minha sorte a hist\u00f3ria toma um caminho completamente diferente. Por que que eu digo &#8220;pra minha sorte&#8221;? Porque normalmente quando isso acontece, imediatamente eu pego um papel e anoto aquela ideia, e provavelmente vai sair uma hist\u00f3ria daquilo. &#8220;Canga\u00e7o Overdrive&#8221;, que vai sair no in\u00edcio de 2018, ela vem de uma paix\u00e3o que tenho por &#8220;<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0278238\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Samurai Jack<\/a>&#8220;. E &#8220;<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0278238\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Samurai Jack<\/a>&#8221; tem muito daquela hist\u00f3ria de deslocamento do samurai para futuro. E eu pensei &#8220;p\u00f4 cara, seria t\u00e3o legal se fosse com um cangaceiro&#8221;. E criei uma forma diferente. A hist\u00f3ria n\u00e3o tem magia como tem no &#8220;<a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0278238\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Samurai Jack<\/a>&#8220;, mas partindo dessa premissa, acabou vindo esse meu insight inicial e vem de lugares mais ca\u00f3ticos e absurdos poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/dudzord\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eduardo Damasceno<\/a> tamb\u00e9m \u00e9 bem c\u00e9tico quanto ao conceito de &#8220;dom&#8221;.<\/p>\n<p>Eduardo Damasceno: N\u00e3o existe isso, n\u00e9? Inspira\u00e7\u00e3o, essas coisas\u2026 Eu acredito muito que s\u00e3o coisas que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente nossas. Elas passam pela gente. Ent\u00e3o, o que tem que acontecer \u00e9 a gente est\u00e1 afiado pra tocar essa m\u00fasica quando ela passar. Meu trabalho \u00e9 treinar desenho, treinar fazer quadrinho, \u00e9 estar sempre caminhando para que quando as coisas chegarem at\u00e9 mim, eu consiga deix\u00e1-las passar por mim.<br \/>\nEu acho muito danoso esse papo de &#8220;dom&#8221;. N\u00e3o \u00e9 assim que funciona a vida cara, cara! (risos) As coisas n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1gicas! O que voc\u00ea quer d\u00e1 trabalho. D\u00e1 muito trabalho. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 querer, e n\u00e3o \u00e9 nascer com isso. \u00c9 um meio termo a\u00ed que voc\u00ea tem que entender que se voc\u00ea quer fazer isso voc\u00ea tem que se dedicar a isso. E a\u00ed tem todo aquele problema: tem pessoas que podem se dedicar a isso, tem pessoas que n\u00e3o podem se dedicar a isso, por quest\u00f5es sociais, por quest\u00f5es diversas. E acho que \u00e9 parte do meu trabalho tentar criar oportunidades para quem n\u00e3o tem elas ainda. Porque eu realmente acredito que todo mundo consegue.<\/p>\n<p>Lillo Parra: Eu acho muito engra\u00e7ado o pessoal falar assim: &#8220;p\u00f4, da onde voc\u00ea tira tanta ideia? Eu queria ter uma ideia assim!&#8221; Cara, ideias assim, qualquer pessoa tem em qualquer hora do dia.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/lillo_parra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lillo Parra<\/a> mostra como qualquer um pode ter ideias para uma hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Lillo Parra: As pessoas acham que &#8220;ah, eu tive essa ideia. Veio pronta. Pum! Saiu o gibi.&#8221; N\u00e3o, n\u00e3o. Voc\u00ea tem uma ideia de nada. Uma bostinha de uma ideia. E \u00e9 em cima disso que voc\u00ea trabalha. Em cima disso que voc\u00ea estrutura. Voc\u00ea tem um insight, eu tive a ideia, &#8220;pum!&#8221; Meu, preciso escrever sobre isso. Cara, vai pesquisa, vai assistir filme, vai ler livro e vai trabalhar aquilo e vai trabalhar, vai trabalhar, n\u00e3o existe ideia mirabolante. Voc\u00ea precisa ler de tudo, voc\u00ea precisa ler livro t\u00e9cnico, voc\u00ea precisa ler coisas que n\u00e3o tem nada a ver com aquilo, voc\u00ea assistir filmes, voc\u00ea precisa na verdade, adquirir muita cultura. E muita cultura, num estou dizendo que voc\u00ea tem que ir em teatros, em cinemas, nisso e naquilo. N\u00e3o s\u00f3 isso. Voc\u00ea tem que parar na rua, entendeu? E ficar vendo o pessoal jogando truco na Pra\u00e7a da S\u00e9. Comer pastel na feira da Liberdade, pegando \u00f4nibus pra diabo, e na verdade, o artista tem a capacidade de sintetizar esse monte de experi\u00eancias em um objeto art\u00edstico, em um produto cultural.<\/p>\n<p>Larissa Palmeri: O processo todo de desenvolvimento de uma hist\u00f3ria, antes de qualquer coisa, requer muita bagagem, tanto cultural, quanto de vida.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/nebelin3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Larissa Palmeri<\/a>, \u00e9 co-autora de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.nebelin3.com\/quadrinhos\/periferia-cyberpunk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Periferia Cyberpunk<\/a>&#8221; e &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/space-opera-em-quadrinhos\/sp906100\/128266\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Space Opera<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>Larissa Palmeri: Todo mundo tem uma bagagem de vida, mas eu acho que as pessoas t\u00eam que aprender a identificar as pr\u00f3prias experi\u00eancias que podem ir pro papel. Como identificar no nosso cotidiano, e as refer\u00eancias que eu poderia trazer para as hist\u00f3rias que eu escrevo. Eu nunca tinha parado para contar hist\u00f3ria. E eu percebi que na hora de desenvolver, vai muito de voc\u00ea, n\u00e9? Muito da sua percep\u00e7\u00e3o de mundo, das coisas que voc\u00ea j\u00e1 viveu.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Diniz: Um monte de hist\u00f3ria maravilhosa a\u00ed que voc\u00ea vai ver, que se voc\u00ea for l\u00e1 na g\u00eanesis, o argumento n\u00e3o tem nada!<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/AndreDinizHQs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Andr\u00e9 Diniz<\/a> tem <a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/artista\/trabalhos-de\/andre-diniz\/678\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">diversas publica\u00e7\u00f5es<\/a>, sendo &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/morro-da-favela\/mo791100\/92016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morro da Favela<\/a>&#8221; a de maior proje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Diniz: \u00c0s vezes \u00e9 o qu\u00ea? &#8220;Ah, um rapaz conhece uma garota, fica apaixonado, tenta ali\u2026 e pronto! E a\u00ed ela n\u00e3o quer\u2026 at\u00e9 que os dois passam a namorar&#8221; Em muitos casos n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvio assim, mas se voc\u00ea for ver, a ideia central ali \u00e9 uma ideia simples. E se essa ideia simples est\u00e1 sendo narrada de uma forma diferente, est\u00e1 sendo usado um outro cen\u00e1rio, os personagens s\u00e3o extremamente carism\u00e1ticos e apesar da ideia inicial ser pobre, mas os personagens n\u00e3o s\u00e3o previs\u00edveis\u2026 A quest\u00e3o da soma de ideias.<br \/>\n\u00c0s vezes a ideia inicial em si n\u00e3o tem nada de mais. Mas a\u00ed voc\u00ea vai acrescentando isso aqui, isso ali\u2026 O <a href=\"http:\/\/www.marcatti.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcatti<\/a> tem uma analogia \u00f3tima. Da sopa de pedra. Que voc\u00ea esquenta a \u00e1gua, p\u00f5e uma pedra, a\u00ed voc\u00ea coloca uma cebola, coloca isso, coloca assim, d\u00e1 um toque disso, d\u00e1 um tempero e tal. Depois tira a pedra, o que fica ali d\u00e1 uma sopa maravilhosa. \u00c0s vezes o argumento ruim, o argumento fraco \u00e9 a pedra da sopa. \u00c0s vezes tem o seguinte tamb\u00e9m, \u00e0s vezes tem um argumento fraco inicial, que ele te impulsiona a vir e tal, voc\u00ea cria um personagem interessante, p\u00f5e um cen\u00e1rio assim, no final a hist\u00f3ria est\u00e1 pronta e aquele argumento inicial nem \u00e9 mais a hist\u00f3ria que voc\u00ea fez.<\/p>\n<p>Raphael Fernandes: Eu acredito que boa parte das obras que s\u00e3o tidas como originais, e tudo mais, nasceram de ideias n\u00e3o originais.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/raphafernandes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Raphael Fernandes<\/a> \u00e9 roteirista e editor da <a href=\"http:\/\/editoradraco.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Editora Draco<\/a>. Autor de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/ditadura-no-ar-n-1\/di007105\/93590\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ditadura no Ar<\/a>&#8221; e &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/apagao-n-1\/ap906102\/116615\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Apag\u00e3o<\/a>&#8220;, conta um pouco sobre seu processo.<\/p>\n<p>Raphael Fernandes: Todo mundo gosta de perguntar para quem cria: &#8220;Da onde v\u00eam as ideias?&#8221; \u00c9 uma mistifica\u00e7\u00e3o da criatividade. Porque a maior parte das pessoas n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o nas coisas que est\u00e3o acontecendo em volta delas. E escrever e criar, basicamente \u00e9 estar atento a tudo isso, e se incomodar com as coisas. As aspira\u00e7\u00f5es para as hist\u00f3rias est\u00e3o em toda parte, o tempo todo. Todo mundo produz arte e cultura, tem que consumir todos os tipos de cultura. Voc\u00ea tem que ir ao teatro, voc\u00ea tem que ir ao cinema, n\u00e3o s\u00f3 ver os filmes que tem a ver com as coisas que voc\u00ea gosta. Ler livros diferentes, ter experi\u00eancias de vida diferentes. Eu acho que experi\u00eancia de vida \u00e9 o grande lance para quem conta hist\u00f3rias. Voc\u00ea tem que ser o tipo de pessoa que se coloca em situa\u00e7\u00f5es at\u00e9 um pouco constrangedoras para ver at\u00e9 onde elas v\u00e3o. Por exemplo, se voc\u00ea est\u00e1 na fila de um banco e a\u00ed uma senhora que vai reclamar muito do que est\u00e1 acontecendo. Voc\u00ea presta aten\u00e7\u00e3o nela, conversa com ela, pergunta por que ela est\u00e1 nervosa, eu faz essas coisas. (risos)<br \/>\nTem um escritor, chama <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Diego_Moraes_(escritor)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diego Morais<\/a>. Ele fala um neg\u00f3cio muito importante: &#8220;um escritor que nunca dormiu na sarjeta, n\u00e3o serve para nada&#8221;. Tem que estar convivendo com as pessoas. Voc\u00ea tem que estar inserido na sociedade. Vai arrumar uma briga na rua, vai pra praia sem levar protetor solar, fa\u00e7a coisas que tragam experi\u00eancia de vida para voc\u00ea. Se n\u00e3o, sua hist\u00f3ria vai ser um saco! Voc\u00ea n\u00e3o vai ter nada a contar.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/raphafernandes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Raphael<\/a> continua falando sobre suas t\u00e9cnicas, em especial, de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ray_Bradbury\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ray Bradbury<\/a>, escritor de fic\u00e7\u00e3o-cient\u00edfica e fantasia.<\/p>\n<p>Raphael Fernandes: Eu sou um adepto do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ray_Bradbury\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ray Bradbury<\/a> e o m\u00e9todo dele era o seguinte: consistia em cadernos em que ele anotava palavras essenciais para ele. Ent\u00e3o, por exemplo, ele trabalhava muito com hist\u00f3rias de terror e fant\u00e1sticas. Ent\u00e3o ele pensava: &#8220;quando era que eu tinha medo de circo. Por que eu tinha medo do circo?&#8221; A\u00ed ele fica tentando lembrar daqueles sentimentos originais que ele tinha quando era crian\u00e7a, e buscar uma palavra chave com rela\u00e7\u00e3o a isso. Por exemplo, ele pensava: &#8220;caramba, eu tinha medo do circo por causa do tigre&#8221;. A\u00ed ele anota &#8220;tigre&#8221;. &#8220;Porque dava uma sensa\u00e7\u00e3o de que estava num sonho&#8221;, a\u00ed ele anota &#8220;sonho&#8221;. &#8220;Era tudo meio artificial&#8221;. Anota &#8220;artificial&#8221;. Ele juntava esse monte de palavras elementares e no fim, ele tinha esses cadernos com essas palavras e quando ele estava precisando escrever uma hist\u00f3ria, ele revisitava, ou ele fazia uma lista dessas, e ficava olhando para essas palavras e amarrando elas tentando dar uma l\u00f3gica para elas, e criar uma hist\u00f3ria nova a partir disso. E essa busca por sentimentos elementares, de coisas que voc\u00ea sentiu na ess\u00eancia, quando voc\u00ea era crian\u00e7a, coisas que voc\u00ea tinha muita saudade, ou medos muitos simples, que tornavam a obra dele t\u00e3o poderosa. Como editor eu vejo muito isso. O cara tem um personagem que claramente n\u00e3o \u00e9 o her\u00f3i, n\u00e3o tem apelo pra isso. E a\u00ed ele n\u00e3o tenta mudar o ponto de vista. Talvez o amigo dele seja o cara legal pra contar a hist\u00f3ria. At\u00e9 me arrisco quando eu fa\u00e7o isso. Acho que as pessoas esperam muito o \u00f3bvio. E quando voc\u00ea tenta buscar um ponto de vista diferente, isso at\u00e9 incomoda.<br \/>\nPor exemplo, no &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/apagao-n-1\/ap906102\/116615\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Apag\u00e3o<\/a>&#8220;, eu tentei colocar no primeiro volume a narra\u00e7\u00e3o sendo contada por algu\u00e9m totalmente insuport\u00e1vel. Que eu mesmo odeio. E alguns leitores acharam: &#8220;p\u00f4, o cara vacilou. O cara tinha um personagem m\u00f3 forte l\u00e1, o Mandril, e colocou um cara m\u00f3 chato contando a hist\u00f3ria&#8221;. Por outro lado, vi outras pessoas falando &#8220;eu tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que ele escreveu esse cara pra gente odiar ele. E deu muito certo&#8221;. (risos) E \u00e9. Foi isso que eu fiz. A quest\u00e3o de ser o her\u00f3i n\u00e3o torna ele her\u00f3ico. Ele na verdade \u00e9 o cara que \u00e9 transformado durante a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Diniz: Quando est\u00e1 naquela fase das ideias, de ver exatamente qual que \u00e9 a hist\u00f3ria, o tema \u00e9 esse, n\u00e3o \u00e9, e abordagem, qual \u00e9, mas isso aqui tal, n\u00e3o est\u00e1 bom, qual o rumo que eu vou tomar? Essa parte \u00e9 um pesadelo.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/AndreDinizHQs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Andr\u00e9 Diniz<\/a> continua.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Diniz: O desesperador \u00e9 justamente isso. Esse pr\u00e9 momento ali de sentar e escrever, isso n\u00e3o tem t\u00e9cnica. Isso cada vez sai de uma forma diferente. Ajuda muito nessa hora \u00e9 saber fazer as perguntas certas. \u00c0s vezes voc\u00ea est\u00e1 com uma ideia, a coisa est\u00e1 tomando forma, mas a\u00ed, mas a\u00ed, mas por que que n\u00e3o est\u00e1 ainda\u2026 Por que que eu ainda n\u00e3o estou acreditando nessa hist\u00f3ria? De repente a hist\u00f3ria vai ser aquela mesma ali, mas eu estou focando em um personagem, quando o protagonista na verdade \u00e9 outro. Eu estou justamente nesse processo agora, com uma hist\u00f3ria que eu estou fazendo, e cheguei at\u00e9 a come\u00e7ar a desenhar umas p\u00e1ginas, est\u00e1 tudo OK, mas n\u00e3o est\u00e1. E a\u00ed fica ali alguma coisa que te impede. &#8220;Por que que eu n\u00e3o estou muito a fim de sentar e desenhar essas p\u00e1ginas?&#8221; e come\u00e7a a ficar claro que est\u00e1 faltando alguma coisa, que h\u00e1 alguma coisa ali de errado nisso tudo. No caso dessa, por exemplo, eu fui me dar conta depois. O protagonista, ele est\u00e1 muito passivo. Est\u00e1 vindo as coisas a ele e ele reage. Isso \u00e9 uma premissa fraca pra uma hist\u00f3ria, n\u00e9? Mas at\u00e9 me vir isso, at\u00e9 ficar claro no meio de um monte de fatores, \u00e9 um tormento isso. (risos) O que pode chegar mais perto de t\u00e9cnica nessa primeira etapa \u00e9 escrever. Sentar e escrever. Vem vindo as ideias soltas e eu vou anotando todas. Por exemplo, eu anotei umas ideias partindo do princ\u00edpio que o protagonista \u00e9 homem, ou que morre no meio da hist\u00f3ria. E a\u00ed depois eu come\u00e7o a colocar outras ideias partindo do princ\u00edpio que o protagonista \u00e9 mulher, que vive at\u00e9 o fim. As ideias v\u00eam e eu vou jogando. Depois, quando parece que vai sair uma hist\u00f3ria dali, a\u00ed eu come\u00e7o a peneirar, come\u00e7o a ponderar. Come\u00e7o a decidir pra que lado que eu vou. (risos) Esse \u00e9 o momento do caos. (risos) Acho que dificilmente de uma ideia sai uma hist\u00f3ria. Pode vir uma ideia ali do ponto de partida, mas ela vai precisar de v\u00e1rias outras ideias juntas pra ganhar um corpo de hist\u00f3ria. &#8220;Ah, a minha hist\u00f3ria \u00e9 sobre isso&#8221; \u00e0s vezes vem uma ideia interessante, de um tema interessante, mas que j\u00e1 foi abordado v\u00e1rias vezes, e de repente a ideia vem quando eu sento, quando eu tenho uma hist\u00f3ria, vem a ideia desse tema, casado a uma outra forma de contar. Antes de eu fazer o &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/morro-da-favela\/mo791100\/92016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Morro da Favela<\/a>&#8220;, a biografia sobre o fot\u00f3grafo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mauriciohora.fotografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maur\u00edcio Hora<\/a>, l\u00e1 do Morro da Provid\u00eancia, eu fiz esse roteiro em 2009, por a\u00ed. Minha metodologia depois de soltar as ideias era sentar no Word e sair escrevendo. Quer dizer, a partir dali eu comecei a ver que eu precisava de mais. Tinha uma s\u00e9rie de depoimentos do Maur\u00edcio que eu podia dar qualquer abordagem pra aquilo. Foi nesse momento que eu passei a usar, a estruturar em roteiro de cinema. Na \u00e9poca eu usava o <a href=\"https:\/\/www.celtx.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CELTx<\/a>. O roteiro pra cinema tem uma formata\u00e7\u00e3o toda espec\u00edfica, n\u00e9? Que voc\u00ea tem que seguir. Roteiro pra quadrinho n\u00e3o. Principalmente que eu estava fazendo pra mim mesmo. Mas ali, o que me ajuda muito \u00e9 a forma de organizar as ideias. Voc\u00ea separa os trechos por cena, voc\u00ea reorganiza essas cenas, voc\u00ea acrescenta a\u00e7\u00f5es ali que n\u00e3o v\u00e3o entrar no texto final, marca com uma cor cada cena dependendo do crit\u00e9rio, ent\u00e3o isso me ajudou muito. E a partir da\u00ed eu passei sempre a usar um software pra organizar as ideias. Hoje eu uso no iPad Pro o <a href=\"https:\/\/www.onenote.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">OneNote<\/a>, eu uso tamb\u00e9m tanto texto, como pra fazer anota\u00e7\u00f5es \u00e0 m\u00e3o como se fosse escrevendo no caderno, e a\u00ed digito, puxo seta, risco ali. E tamb\u00e9m uso em paralelo um aplicativo de como se fosse aquelas fichas que voc\u00ea escreve e organiza. Ent\u00e3o isso me ajuda muito tamb\u00e9m. \u00c0s vezes o roteiro est\u00e1 confuso demais a\u00ed eu passo pra um outro. (risos) Me ajuda muito isso. Mudar de processo, a ferramenta de pensar, o roteiro, de pensar, \u00e0s vezes me ajuda tamb\u00e9m. &#8220;T\u00e1 complicado desse jeito? Ent\u00e3o vamos tentar aqui, por esse outro caminho&#8221;. (risos)<\/p>\n<p>Ricardo: Voc\u00ea falou um pouco da constru\u00e7\u00e3o do roteiro, de como \u00e9 que voc\u00ea encadeou a sua hist\u00f3ria. Agora como curiosidade, voc\u00ea teve que cortar muito? Porque uma coisa que \u00e9 cl\u00e1ssica, por exemplo para um jornalista como eu, \u00e9 que o jornalista gosta de escrever e o editor gosta de cortar, n\u00e9. (risos) O prazer do editor \u00e9 cortar. Como \u00e9 que \u00e9 ser o seu pr\u00f3prio editor? Como \u00e9 que foi esse processo de voc\u00ea se debru\u00e7ar sobre o roteiro e falar &#8220;n\u00e3o tem uma &#8216;barriga&#8217; aqui, tem que cortar, tem que aprofundar&#8221; ou qu\u00e3o aflitivo isso \u00e9?<\/p>\n<p>Br\u00e3o: No meu processo, pelo menos, ele se inicia de sinopses pequenas e a\u00ed o roteiro vai tomando corpo, e a\u00ed depois ele tem que ser &#8220;enxugado&#8221;. A maior parte do processo eu fiz de forma totalmente independente, ent\u00e3o eu fui ali crescendo o roteiro, crescendo a hist\u00f3ria cada vez mais, eu por iniciativa pr\u00f3pria, fui cortando ali o que eu achava que estava de &#8220;gordura&#8221;, de excesso ali na hist\u00f3ria, para que ela funcionasse melhor. Mas nos &#8220;finalmentes&#8221; ali, eu ainda n\u00e3o estava satisfeito totalmente e eu convidei o <a href=\"https:\/\/twitter.com\/dudzord\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eduardo Damasceno<\/a>\u00a0pra poder me auxiliar ali e ele me editou no processo e cortou muito mais coisas. Teve bal\u00f5es que foram completamente retirados, e isso fez uma diferen\u00e7a incr\u00edvel na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Paulinho: Uma fluidez, n\u00e9?<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Caramba! Tem que agradecer muito o\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/dudzord\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Damasceno<\/a>\u00a0pro causa disso.<\/p>\n<p>Rircardo: \u00c9, o olhar externo \u00e9 sempre \u00fatil, n\u00e9? Porque a gente acaba ficando com o olhar viciado, ali na hist\u00f3ria<\/p>\n<p>Br\u00e3o: \u00c9 aquele processo de cria\u00e7\u00e3o. Primeiro voc\u00ea acha que tem uma ideia incr\u00edvel, no meio do processo voc\u00ea est\u00e1 odiando, mas voc\u00ea caminhou demais para desistir e a\u00ed no final voc\u00ea come\u00e7a a se apaixonar pela hist\u00f3ria novamente.<\/p>\n<p>Paulinho: Que legal.<\/p>\n<p>Lillo Parra: Descatar, isso eu aprendi com o <a href=\"https:\/\/twitter.com\/AndreDinizHQs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Andr\u00e9 Diniz<\/a>. Ele falou assim: &#8220;Escreva tudo o que tem na sua cabe\u00e7a, mas tenha ci\u00eancia absoluta que voc\u00ea vai precisar cortar&#8221;.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/lillo_parra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lillo Parra<\/a> de volta.<\/p>\n<p>Lillo Parra: E sai cortando sem d\u00f3 nem piedade. Se n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, corta! Corta cena, corta di\u00e1logos. O &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/la-dansarina\/la111710\/119304\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">La Dansarina<\/a>&#8221; depois que o <a href=\"http:\/\/jeffersoncostablog.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jeff<\/a> desenhou, antes de ele colocar os bal\u00f5es de texto, eu falei: &#8220;manda pra c\u00e1 que eu vou mexer no texto inteiro&#8221;. Eu fui retrabalhando cada um. Eu falei assim: &#8220;esse bal\u00e3o entra, esse bal\u00e3o n\u00e3o vai, esse bal\u00e3o \u00e9 modificado, esse que estava no quadro 2, vai para o quadro 4&#8221;. N\u00e3o foi mudada a hist\u00f3ria, mas teve sequ\u00eancias inteiras que falava na p\u00e1gina inteira que viraram sequ\u00eancias mudas, porque n\u00e3o precisava da palavra. Ent\u00e3o escrever \u00e9 saber cortar.<\/p>\n<p>Ricardo: Voc\u00ea tinha falado que a fagulha inicial partiu justamente da cena final do livro, mas voc\u00ea sabia desde o in\u00edcio como a tua hist\u00f3ria iria acabar, como o \u00e1lbum ia acabar.<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Eu queria que o final fosse a foto, que \u00e9. Mas eu n\u00e3o sabia necessariamente como chegar l\u00e1. Eu sabia onde queria chegar, mas at\u00e9 chegar nesse destino, muita coisa vai mudando.<\/p>\n<p>Cris Eiko: \u00c0s vezes voc\u00ea tem uma ideia e ela vai se transformando em algo melhor ou pior e voc\u00ea tem que descartar, come\u00e7ar de novo.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/cristinaeiko\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cris Eiko<\/a> sobre sua publica\u00e7\u00e3o &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/ugrito-n-11\/ug112910\/130096\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Culpa<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>Cris Eiko: Foi a minha primeira experi\u00eancia escrevendo um roteiro. Eu tinha mais ou menos uma ideia que basicamente est\u00e1 l\u00e1 no &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/ugrito-n-11\/ug112910\/130096\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Culpa<\/a>&#8220;. T\u00e1 a crian\u00e7a desenhando e acontece da outra ficar com raiva e enfim, destruir o desenho. Isso \u00e9 baseado em algo que aconteceu mesmo comigo. No caso eu sou o irm\u00e3o mais velho. Ele ia l\u00e1, mexia no passado dele e o neg\u00f3cio s\u00f3 piorava. A\u00ed eu pensei: &#8220;mas p\u00f4, porque eu preciso desse cara? Porque eu n\u00e3o conto s\u00f3 o que aconteceu l\u00e1 realmente, n\u00e9?&#8221; A\u00ed eu fui mudando, na verdade eu descartei essa hist\u00f3ria pra tentar fazer algo novo uma tr\u00eas vezes, mas isso a\u00ed ajudou a condensar a hist\u00f3ria e a focar s\u00f3 nas crian\u00e7as mesmo e n\u00e3o colocar um adulto que volta no tempo arrependido, nem nada. E ficou bom.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/laudoferreira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Laudo<\/a> mostra como uma obra pode sofrer mudan\u00e7as at\u00e9 por limita\u00e7\u00f5es editoriais e de veicula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Laudo: No caso do &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/cadernos-de-viagem-anotacoes-e-experiencias-do-psiconauta\/ca035105\/126828\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cadernos de Viagem<\/a>&#8220;, ele foi uma ideia que me foi proposta. Inicialmente era para ele ser uma web comics semanal, uma p\u00e1gina. Num segundo momento, veio uma proposta de participar de uma revista eletr\u00f4nica. A\u00ed o come\u00e7o desse livro, era uma primeira hist\u00f3ria dessa revista, depois eu acabei fazendo dela uma tira que eu publiquei na Folha de S\u00e3o Paulo, naquele quadr\u00e3o. E a\u00ed que eu resolvi p\u00f4r no Proac e quando passou, eu redesenhei tudo. Mudei o concept do personagem. Pra voc\u00ea ver que tudo isso que eu estou te falando, \u00e9 t\u00e9cnico, matura\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Porque se a revista eletr\u00f4nica fosse ter uma vida, a hist\u00f3ria, o jeito que ela come\u00e7a \u00e9 mais ou menos semelhante ao jeito que come\u00e7a no \u00e1lbum, mas elas tomavam rumos completamente diferentes porque ela foi pensada naquele momento como uma s\u00e9rie, no caso eu precisei condensar. Ah vou fazer um livro com duzentas p\u00e1ginas, sendo que eu tinha dez meses para desenhar. Eu consigo fazer duzentas p\u00e1ginas em um ano? Ah tem caras que conseguem, o meu trabalho n\u00e3o d\u00e1. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 rabiscar, tem toda uma preocupa\u00e7\u00e3o. O &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/yeshuah-absoluto\/ye035101\/123598\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Yeshua<\/a>&#8220;, no \u00faltimo livro, um percentual grande dele foi pensado em como que o leitor ia reagir \u00e0quilo. Naquele momento que a Maria Madalena t\u00e1 ali na crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus, ali, ela tem uma epifania, vamos dizer assim. Ela entra num estado alterado de consci\u00eancia. O leitor \u00e9 transportado, \u00e9 tirado daquela cena da crucifica\u00e7\u00e3o e \u00e9 levado para aquela caverna, que \u00e9 uma analogia com a caverna de Plat\u00e3o, aquilo foi pensado no leitor. As pessoas falam: &#8220;Ah, todo mundo sabe o fim do livro, n\u00e9,\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/laudoferreira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Laudo?<\/a>\u00a0O her\u00f3i morre no fim&#8221;. (risso) E a\u00ed eu falei assim: &#8220;Todo mundo quer isso na hist\u00f3ria de Jesus, mas ent\u00e3o eu vou tirar gostinho (risos) do leitor&#8221;. Eu vou fazer uma sequ\u00eancia em que o leitor sabe que ele est\u00e1 na cruz, do lado de dois caras, que ele morre, que ele fala aquelas coisas, todo mundo sabe isso. Ent\u00e3o eu vou trabalhar com o inconsciente do leitor, j\u00e1 tendo isso, aconteceu isso, s\u00f3 que enquanto isso t\u00e1 acontecendo, uma pessoa que est\u00e1 ali perto dele, que \u00e9 a Maria Madalena, vai ter uma epifania, e ela vai entrar num outro estado onde vai existir uma analogia entre a igreja cat\u00f3lica e as adora\u00e7\u00f5es, e o que realmente voc\u00ea tem que buscar. Quando eu pensei nisso, no mesmo momento veio essa ideia de Plat\u00e3o, que \u00e9 fazer essa analogia dos caras dentro da caverna, n\u00e3o estar enxergando a realidade. Achei essa ideia t\u00e3o diferente e ao mesmo tempo eu fiquei meio preocupado com isso. No primeiro momento, houve apenas essa brincadeira: eu n\u00e3o vou dar o gostinho ao leitor de ver Jesus morrer. De uma maneira que se eu contar pro leitor que acontece isso, eu vou estar entregando, eu estrago a leitura da obra. T\u00e9cnica, eu n\u00e3o vou fazer isso agora, porque eu quero fazer isso, e isso, isso, isso. Tem que ter esse trabalho, tem que ter esse trabalho.<\/p>\n<p>Br\u00e3o em off: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/dudzord\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eduardo Damasceno<\/a> sobre a muta\u00e7\u00e3o que suas obras sofreram.<\/p>\n<p>Eduardo Damasceno: A gente come\u00e7ou a pensar que a gente queria fazer uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A\u00ed um dia o <a href=\"https:\/\/twitter.com\/liper_gomba\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lip\u00e3o<\/a> falou: &#8220;Nossa, sonhei com um menino na frente do espelho. Ele tinha um buraco negro na barriga&#8221;. E a gente come\u00e7ou a conversar, mas porque que ele tem um buraco negro na barriga, tal? E virou o &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/achados-e-perdidos\/ac974100\/99644\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Achados e Perdidos<\/a>&#8220;, ou seja, n\u00e3o tem nada de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. No &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/cosmonauta-cosmo\/co974100\/106117\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cosmonauta Cosmo<\/a>&#8221; a gente pensou n\u00e3o necessariamente fazer um quadrinho para crian\u00e7a, mas fazer um quadrinho que n\u00e3o tivesse nenhum tipo de restri\u00e7\u00e3o. Porque o &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/achados-e-perdidos\/ac974100\/99644\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Achados e Perdidos<\/a>&#8221; foi muito legal, e a rea\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as foi muito legal. A\u00ed os pais sempre perguntavam: &#8220;Ah, as crian\u00e7as podem ler isso aqui?&#8221; a\u00ed eu falava &#8220;pode! Tem uns dois ou tr\u00eas palavr\u00e3o&#8221;. A\u00ed eu falei, &#8220;ah, quer saber? Vamos fazer um livro que n\u00e3o tem nem dois ou tr\u00eas palavr\u00e3o para n\u00e3o ter que n\u00e3o falar nada para os pais, s\u00f3 deixar os meninos levar o livro?&#8221; S\u00f3 que a gente n\u00e3o sabia o que, s\u00f3 ficou na cabe\u00e7a. A\u00ed num caderno de esbo\u00e7o meu, desenhei um menininho, um astronauta, e escrevi cosmonauta cosmo, assim do lado, e ele falou &#8220;P\u00f4! Cosmonauta cosmo, ta a\u00ed, vou fazer essa hist\u00f3ria a\u00ed!&#8221; e a\u00ed a gente fez. O &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/quiral\/qu125310\/120465\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quiral<\/a>&#8221; j\u00e1 \u00e9 um universo que a gente tem todo pensado, s\u00e3o sete livros e tal, s\u00f3 que n\u00e3o ia dar tempo de fazer isso, e falamos ah, vamos contar hist\u00f3rias ent\u00e3o dentro desse universo? Vamos. A\u00ed a gente fez o &#8220;<a href=\"http:\/\/www.guiadosquadrinhos.com\/edicao\/quiral\/qu125310\/120465\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quiral<\/a>&#8221; que \u00e9 uma hist\u00f3ria dentro desse universo que a gente j\u00e1 pensa para uma coisa maior.<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Eu comecei a escrever dia 15 de agosto e s\u00f3 um m\u00eas depois, no dia 08 de setembro, que eu tive a ideia de colocar uma caracter\u00edstica que \u00e9 t\u00e3o marcante na hist\u00f3ria que \u00e9 o fato da Eunice gostar tanto de fotografia, e s\u00f3 ent\u00e3o que eu tive a ideia de colocar essa caracter\u00edstica no personagem.<\/p>\n<p>Ricardo: E que \u00e9 um link que vai conduzir para o desfecho da hist\u00f3ria, n\u00e9?<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Porque seria muito vazio ter uma hist\u00f3ria que n\u00e3o tivesse nenhuma liga\u00e7\u00e3o com isso, e no final , aparecesse uma foto l\u00e1 do nada. Ent\u00e3o eu tinha que construir todo esse percurso para que no final fizesse sentido. Ent\u00e3o por isso que a Eunice tem essa caracter\u00edstica.<\/p>\n<p>Paulinho: o legal do av\u00f4 n\u00e3o gostar de foto e ela n\u00e3o tirar foto dele na \u00faltima cena, \u00e9 bem interessante tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Isso, respondendo sua pergunta anterior, \u00e9 uma caracter\u00edstica de fato do meu av\u00f4.<\/p>\n<p>Paulinho: Ah \u00e9?<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Ele n\u00e3o gostava de ser fotografado. A gente tem algumas fotos dele. Ele gostava de fotografia, mas ele gostava pouco de retratos. Ele n\u00e3o gostava de aparecer em v\u00eddeos\u2026 ent\u00e3o em alguns anivers\u00e1rios que tem filmagens, a gente v\u00ea que ele t\u00e1 no fundo assim da cena e come\u00e7a a sair, come\u00e7a a entrar debaixo da mesa (risos). Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica real do meu av\u00f4.<\/p>\n<p>Ricardo: Muito bem, agora temos uma HQ sobre ele, n\u00e9? Vai puxar teu p\u00e9 \u00e0 noite, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o<\/a>. (risos)<\/p>\n<p>Br\u00e3o: Vai, vai sim (risos).<\/p>\n<p>Ricardo: Muito bem, amigos. Esse aqui foi o segundo epis\u00f3dio da <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/makingofreparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s\u00e9rie de cinco programas<\/a> sobre a HQ &#8220;<a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reparos<\/a>&#8221; do <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o Barbosa<\/a>. A gente est\u00e1 comentando aqui semanalmente os bastidores da produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum e tamb\u00e9m do fazer quadrin\u00edstico. Bonito, n\u00e9? &#8220;Fazer quadrin\u00edstico&#8221;. Carnasiano isso, quase. Muito bem, na <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/making-of-de-reparos-03-tempo-de-producao-capa-e-cor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">semana que vem<\/a> a gente vai voltar para falar de mais detalhes da produ\u00e7\u00e3o e dessa vez, ali do processo mesmo de se botar uma HQ de p\u00e9. A gente espera que voc\u00ea j\u00e1 tenha lido, n\u00e9? Porque sen\u00e3o voc\u00ea se ferrou, n\u00e9? A gente deu um monte de spoiler! (risos)<\/p>\n<p>Paulinho: E se voc\u00ea s\u00f3 leu a vers\u00e3o digital, t\u00e1 na hora de comprar a f\u00edsica tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Ricardo: Cria vergonha na cara, n\u00e9 velho? P\u00f5e a m\u00e3o ali no papel, tato, \u00e9 importante.<\/p>\n<p>Paulinho: O cheiro.<\/p>\n<p>Ricardo: O cheiro, exatamente.<\/p>\n<p>Paulinho: Papo de velho. (risos)<\/p>\n<p>Ricardo: <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">braobarbosa.com\/reparos<\/a> e na <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/making-of-de-reparos-03-tempo-de-producao-capa-e-cor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">semana que vem<\/a> a gente volta pra falar sobre o <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/making-of-de-reparos-03-tempo-de-producao-capa-e-cor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">processo de produ\u00e7\u00e3o, o tempo que leva, capa, cor<\/a>, todos esses detalhes saborosos ali, especialmente para quem curte quadrinhos. Muito obrigado, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/caradosite\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paulinho Degaspari<\/a> pelas suas brilhantes interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Paulinho: \u00c9 n\u00f3is.<\/p>\n<p>Ricardo: Certo, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BraoBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Br\u00e3o Barbosa<\/a>, voc\u00ea tamb\u00e9m sempre muito bem vindo no seu pr\u00f3prio podcast.<\/p>\n<p>Br\u00e3o: P\u00f4, que honra.<\/p>\n<p>Ricardo: \u00c9 isso a\u00ed, ent\u00e3o <a href=\"http:\/\/braobarbosa.com\/reparos\/making-of-de-reparos-03-tempo-de-producao-capa-e-cor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">semana que vem<\/a> a gente volta. At\u00e9!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Making of de &#8220;Reparos&#8221; &#8211; 02 &#8211; Argumento, Personagens e Roteiro Assine o Feed Ricardo: Ol\u00e1, senhoras e senhores. Eu sou Ricardo Alexandre e esse \u00e9 o segundo epis\u00f3dio da nossa gloriosa s\u00e9rie de cinco epis\u00f3dios sobre o \u00e1lbum em quadrinhos &#8220;Reparos&#8220;. 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